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Carta do Superior Geral pela Festa do Sagrado Coração

27/06/10 - 17h24 - Atualizado em 29/06/10 - 09h04


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Queridos Irmãos,

Saudações a todos os irmãos do mundo inteiro e os nossos melhores votos para a Festa do Sagrado Coração no dia 11 de Junho.
Nossa Festa Nominativa coincide desta vez com o encerramento do Ano Sacerdotal que, para todos os que receberam a Ordem do Presbiterato foi um tempo especial de oração e, para os Missionários do Sagrado Coração, um tempo de oração e de renovação por estarmos todos chamados a sermos um com Jesus, o verdadeiro Sumo Sacerdote. 
A propaganda negativa desencadeada por alguns casos de mau comportamento de sacerdotes, bispos e religiosos de todo o mundo, lançou de muitas maneiras uma nuvem sombria sobre a nossa celebração de hoje. Com sofrimento reconhecemos nossas debilidades e fragilidades e a necessidade de conversão em nós mesmos e em nossos irmãos. A antiga expressão: Ecclesia semper reformanda, in capite et in membris (Igreja sempre se  refazendo, na cabeça e nos membros) permanece sendo válida hoje para nós. Que a Festa do Sagrado Coração nos ajude a aceitar esse desafio e a mudar em nós mesmos as atitudes que tenham podido causar essa crise e o conseqüente sofrimento das vítimas da má conduta clerical.   
A primeira mudança de atitudes é a de fazermo-nos mais humildes e assumir o fato de que a profissão religiosa e a ordenação não nos fazem melhores que os demais. Põem-nos sim a serviço de nossos irmãos e nos fazem responsáveis pela graça que recebemos e da qual somos administradores indignos. 
          Nós, como Jesus, o Servo do Senhor que nos convida a ir a Ele porque “é manso e humilde de coração”, devemos ser solidários com todos os irmãos. Com os que se comportam mal e com as vítimas desse mal.  
Ao encarnar-se para nos redimir a todos, Jesus tomou sobre si nossa condição pecadora e, por assim dizer, se fez um com os pecadores e opressores assim como se fez um também com as vítimas do pecado e da opressão. Pela reparação “participamos de sua obra redentora e completamos em nós mesmos o que falta à sua Paixão pelo seu Corpo que é a Igreja” (Const. 16).
A segunda atitude é a fidelidade e a perseverança. Com a vocação de MSC nos foi dada uma missão, missão esta que queremos estudar e celebrar no Capítulo Geral do próximo ano. Somos chamados a ser fiéis a essa vocação e a essa missão. É isso que Deus quer de nós e nossa obediência consiste nesta fidelidade. “Aqui estou Senhor, eis que venho para fazer a tua vontade” é a atitude permanente da Palavra Encarnada e, essa deve ser nossa permanente atitude. Esta fidelidade e esta perseverança são parte importante, sobretudo como comunidade, do nosso testemunho do Evangelho. Sem esta fidelidade não há  testemunho nem missão. 
                 A terceira atitude é a esperança e a confiança. Apesar dos problemas e das imperfeições que nos cercam como indivíduos e como Igreja, temos o desafio de prosseguir anunciando o Evangelho, que é sempre a Boa Notícia para os pobres, os desprezados e os pisoteados.
                  O Evangelho é boa notícia não porque nós sejamos bons e maravilhosos, mas porque Deus é bom e maravilhoso. O amor e a misericórdia simbolizados no Coração transpassado de Jesus é o que queremos gravar em nossos próprios corações e partilhar com os outros. À medida que nossos corações sofridos forem um humilde reflexo de Seu Coração, é então que realizamos a tremenda missão que nos foi confiada. E assim como Seu Coração está pleno de esperança e de confiança, assim deve ser também o nosso coração.  
                   “Sou eu, não temais!” Estas são as palavras Dele para nós e deverão ser também as nossas palavras para o mundo.        
                     Que Deus nos dê a coragem de que precisamos para sermos fiéis e cheios de esperança no mundo de hoje. 

In Corde Jesu:

Mark McDonald, MSC
Narciso Abellana, MSC
F. X. Wahyudi, MSC
Faustino Fernández, MSC.